segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

3/12/12 - Chico



A tal mítica frase "Nunca sabemos a falta que alguém nos faz até chegar o dia em que a perdemos". Adequa-se ao meu dia de hoje.
Durante esta década e sete anos em que vivi, conheci tantas pessoas. Umas amigas da família, outras que fui conhecendo na escola, na minha aldeia, no café, quando saiu à noite, quando viajo, ou outro sítio qualquer em que por ventura esteja lá alguém e acabe por fazer amizade com essa pessoa. E nunca penso nisso. Mas pela minha vida, já passou tanta gente. É triste, vermos alguém partir...
Hoje, uma das pessoas que conheci através da minha família foi enterrada. Era amigo do meu avô, da minha avó, da minha mãe e companheiro da melhor amiga da minha avó. Era da família. Não de sangue mas de coração. Os momentos partilhados são de se perder a conta. A morte é algo que me assusta de morte mesmo. Tanto que quando penso nisso, tento ignorá-lo ao máximo. Não gosto de pensar que um dia já não estarei por cá e já não serei eu e já não terei as minhas pessoas. Então fujo e protejo-me de tais pensamentos. Só que tais pensamentos acabam sempre por nos encontrar. Não posso fugir eternamente mas vou fazendo um esforço para não me lembrar e viver, simplesmente.
O que mais me custou hoje, para além da despedida de uma pessoa com a qual convivi desde que me lembro de ser eu, foi o "neto" dele. Mais novo que eu, um rapaz que cresceu à minha volta e passou pela minha casa e por mim, imensas vezes. Não somos muitos chegados mas somos como uma espécie de primos. Daqueles com quem não falamos muitas vezes mas quando falamos existe aquele carinho especial. Ele adorava o Chico. E quando o vi, agarrado à avó durante todo o velório e de seguida a chorar porque aquela pessoa que estava ali a ser enterrada era realmente importante para ele. Isso tocou-me de mil e uma formas. Porque ele ainda é uma criança. Uma criança que teve que se despedir de uma das pessoas mais importantes da sua vida. Dei por mim a dar-lhe um beijinho na cabeça e sinceramente, só me apetecia agarrá-lo e transmitir-lhe toda a minha força. Não existe explicação para a perda, para o vazio que se sente quando se perde alguém de quem se gosta tanto. O pensamento da despedida para sempre, aterroriza-nos. Porque quando alguém morre, sabemos que aquele é o adeus final e isso, deve ser o pior que se pode sentir.
Foi um dia de muitas emoções hoje. O meu avô perguntou-me porque é que eu tinha ido ao funeral. Porque o único funeral a que tinha ido, era o do meu bisavô. Senti-me bem em ir. Bem no sentido de ser um dever meu e algo que tinha que fazer para me sentir bem comigo mesma. Não poderia deixar partir uma pessoa que me foi próxima e era como se da família, sem me despedir dela.
Nunca me irei esquecer de quando o Chico gritou numa festa de anos minha: GRANDE SOFIA!
Comigo ficou e ficará sempre. Para os familiares que são quase como meus também, só lhes desejo força e fico com a esperança que o tempo diminua a dor.

Rest In Peace. You always be remembered by the people who loved you the most and the people who looked at you with respect. Such a wise person. Such an example. Always in our hearts. Forever.

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