Ao dizer-lhe aquelas palavras- na esperança de que ele me estivesse a ouvir- percebi qual era o meu verdadeiro problema. Eu não entendia porque é que ele gostava de mim. Nunca o entendera.
- Eu não percebo porque é que achas atraente- murmurei. - Tu és...bom, tu és tu mesmo... e eu sou... - Encolhi os ombros e levantei os olhos para ele. - Não entendo. Tu és bonito, sexy, bem-sucedido, bom, gentil e carinhoso. Tu és tudo isso, e eu não. Não consigo fazer as coisas que tu gostas de fazer, não consigo dar-te aquilo que precisas. Como poderias ser feliz comigo? Como poderei eu jamais prender-te? - A minha voz era um sussurro ao expressar os meus medos mais tenebrosos. - Nunca percebi o que vês em mim."
" ... - Não ias fugir? - perguntou.
- Não!
Ele voltou a fechar os olhos e todo o seu corpo se descontraiu. Quando abriu os olhos, vi dor e angústia neles.
- Pensei... - calou-se. - Eu sou assim, Ana, todo eu... e sou inteiramente teu. O que tenho eu de fazer para que tu entendas isso, para que vejas que te quero de todas as formas possíveis e percebas que te amo?
- Eu também te amo, Christian, e ver-te assim... - Senti-me sufocar e as lágrimas voltaram. - Pensava que te tinha destruído.
- Destruído? A mim? Ah, não, Ana, muito pelo contrário. - Esticou o braço e pegou-me na mão. - Tu és a minha tábua de salvação - sussurrou, beijando-me os nós dos dedos, e apertando-me a palma da mão contra a sua. "




